Entrevista - O Estresse e a Pele
Dra. Érica Monteiro entrevista a médica psiquiatra Dra. Ana Paula L. Carvalho, assistente no setor de psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP (Universidade de São Paulo). Dra. Ana Paula realiza mestrado na Escola Paulista de Medicina/Universidade Federal de São Paulo (EPM/UNIFESP), pesquisando estresse ocupacional em profissionais de saúde.



Dra. Érica - O que é o estresse?
Dra. Ana Paula – O estresse é a resposta do organismo a toda situação que exige do indivíduo uma adaptação. As situações podem ser físicas (acidentes, fome, calor intenso), cognitivas (vivência de um assalto, envolvimento em uma discussão, seleção de um emprego) e emocionais (medo, ira, divórcio, casamento, mudanças - de casa, escola, cidade).

Dra. Érica – Como identificá-lo?
Dra. Ana Paula – Antes é preciso deixar claro que o estresse nem sempre traz prejuízos. Muitas vezes é fundamental para que a pessoa tome atitudes indispensáveis a sobrevivência (como estudar na véspera de um exame). Quando o fator gerador do estresse persiste ou a pessoa não consegue lidar com as conseqüências de um determinado evento, o estresse passa a ser crônico e algo deve ser feito para freiar este processo. Os sinais do estresse são cansaço, sensação de que não se vai dar conta das tarefas, desmotivação para o trabalho, ataques de mau humor. A produtividade despenca e ir para o trabalho passa a ser uma tortura, a memória falha, os problemas se refletem em casa e na relação com colegas e amigos.

Dra. Érica – Qual a relação do estresse com as doenças de pele?
Dra. Ana Paula – A pele é um importante órgão de interação com outros indivíduos, assim como de expressão de emoções como a ansiedade, o medo e o embaraço. Quando a pele está doente passa a ser um fato público que pode trazer afastamento das outras pessoas trazendo prejuízo das relações pessoais e de trabalho. A pessoa passa a se sentir envergonhada, humilhada, embaraçada, feia, repugnante. Nesta situação o estresse é conseqüência da dermatopatia. Ele pode ainda ser causa (a acne da mulher adulta tem como importante causa o estresse); ou perpetrador de uma doença de pele (pessoas com psoríase, vitiligo, dermatite atópica têm maior número de recorrência e/ou piora do quadro quando sob estresse intenso).

Dra. Érica – O que fazer? Há tratamento?
Dra. Ana Paula –A primeira conduta é identificar a situação que está levando ao estresse. Uma vez descoberta deve-se tentar resolvê-la. Em casos mais graves ou em que está difícil reconhecer o que está acontecendo passa a ser necessária a ajuda de um profissional como psiquiatra ou psicólogo. O tratamento existe e vai depender do quadro desenvolvido pela pessoa.

Dra. Érica – Como assim?
Dra. Ana Paula –O estresse crônico pode levar a ansiedade que aparece como: síndrome do pânico, fobias, ou ansiedade generalizada. Pode ainda levar a quadros depressivos que se não tratados ou muito graves podem levar ao suicídio. Todos citados têm tratamento medicamentoso e psicoterápico.

Dra. Érica – Alguma dica aos leitores?
Dra. Ana Paula –Há meios de se prevenir o estresse. Consiste em ter uma alimentação saudável e fazer exercícios físicos. Há estudos que mostram que a atividade física tem efeito semelhante ao antidepressivo quando feita regularmente. Sentar-se e respirar profundamente soltando o ar depois pela boca, durante 20 minutos por dia é um relaxamento que tem os mesmos efeitos que técnicas mais complexas e reduz a pressão arterial, trazendo melhora da ansiedade.



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